Mapas de Espelho – É preciso dizê-lo

é preciso dizê-lo

 

Uma vez mais a rua abria-se, a cor, essa, condescendia no volteio, durante os olhos estultos alargando
a satisfação, a visão, essa deriva rápida a entrar em cada coisa, é preciso dizê-lo;
outra vez fez estender o corpo, o seu e o da rua, prolongados, agregando – cada um – uma a uma
as contusões em uníssono, é preciso dizê-lo;
por várias e únicas ocasiões roubavam-se à surdina, por pura disposição, encorpando sempre
qualquer coisa atmosférica do ar de uma da outra, é preciso dizê-lo;
cada uma em qualquer motivação, quando se passeavam uma pela outra, rebuscavam-se, faltava sempre alguma coisa nas
suas entranhas, uma agonia ou uma falha por onde se tivesse encravado um sofrimento fraco demais para a convivência uma
da outra, é preciso dizê-lo;
várias e unas as muitas variações dos seus corpos sobrepondo-se, curvando-se na arquitectura reconstruída por uma e por
outra na outra, é preciso dizê-lo;

 

 

 

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