Mapas de Espelho – Dizes

dizes

 

Como se desfaz a respiração nos rostos: alongando ao ébano das máscaras o desperdício, dizes,
na evidência há (quando olhas) um ímpeto suicida, desferindo com emoção um dardo lanças
na derradeira verdade dos corpos a repetição, dizes;
e as máscaras confundem-se no fôlego das faces sôfregas, violentando a pulsão
os mortos concedem-te um verso, consagrando a tragédia óssea, e a carne teima prisioneira o improviso, não foge, dizes.

 

São lâminas magníficas os olhos e abrindo a boca duplicas todas as coisas doentes e no fastio,
que não cuidas, constróis uma jangada e cospes a fome, essa certa ignorância que atravessa os corpos e, dizes, quando
ninguém te escuta: são rápidas as mortalhas enfaixando nos olhos o incêndio.

 

Não adianta partir com gestos decepados ou fazer uma festa se não celebras as ravinas cansadas da raiva
e o depois é uma parábola de cinza, faz ulcerar, onde se traz vivo o coração,
a água ou o cinturão de lume – o que viola o corpo de desejos, dizes;
e o corpo é de cinza quando deseja o amor que faz: não abre girassóis nem conhece saindo do lodo
outro corpo: deixa-te preso aos músculos a respiração do moribundo
e os olhos crestam com esse abalo, dizes, supões atenuar a dor e sem poderes
perpetuas um intruso golpe, e, tal como a lua não volta a face,
um presente convulsivo abrevia a sua glória.

 

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